A Mesa Executiva da Câmara de Londrina acatou ontem as duas representações de londrinenses contra os cinco vereadores acusados pelo Ministério Público de concussão e formação de quadrilha e encaminhou os casos para a Comissão de Ética, dando o início às apurações que, posteriormente, podem resultar na indicação pela cassação dos mandatos dos envolvidos. A denúncia do MP, porém, ainda não foi acatada pela Justiça, que deu prazo para a defesa dos vereadores implicados: Henrique Barros e Osvaldo Bergamin (ambos PMDB), Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC). O MP os acusa de cobrar propinas de três empresários da cidade para aprovar projetos de lei. Barros chegou a ser preso em flagrante com R$ 9,9 mil em espécie dentro do carro. Segundo a denúncia da Promotoria, os acusados teriam extorquido R$ 36,9 mil dos empresários. Na primeira representação, contra os cinco vereadores, o jornalista Juarez Rezende pede a cassação de todos e anexa ao pedido de investigação interna cópia da acusação da Promotoria. A outra, de Juney Arimatsu, pede o julgamento da cassação apenas de Henrique Barros: “Com a confissão de Henrique Barros nada mais precisa ser mencionado neste pedido, nem mesmo a frágil afirmação do edil à imprensa de que era apenas o intermediário da escusa negociação envolvendo projetos de lei”, diz trecho do documento. “A simples intermediação já é motivo robusto e suficiente para a cassação, não merecendo mais comentários esse tipo de evasiva”, completa. “Temos muita pressa em esclarecer. É a vontade da cidade de Londrina e vamos adotar agilidade mesmo no recesso para que a Comissão de Ética inicie imediatamente os trabalhos. Temos pressa em punir os culpados”, assegurou o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB). A Comissão de Ética tem dois meses para encerrar a investigação, que pode apontar por punições ou arquivamento. Se for pela punição mais severa, no caso a cassação, o plenário tem que aprovar a medida e abrir nova Comissão Processante, com três vereadores sorteados, que têm até três meses para nova averiguação e indicação definitiva pela cassação, que necessariamente passa pelo plenário. Acusados pedem revogação das três leis Os vereadores Flavio Vedoato, Renato Araújo e Osvaldo Bergamin, implicados nas denúncias por Henrique Barros, e ainda o vereador Luis Carlos Tamarozzi (PTB), protocolaram ontem três projetos em que pedem a revogação das leis que, segundo as investigações da Polícia Civil e Ministério Público, foram aprovadas mediante o pagamento de empresários interessados. Uma das leis mudou o horário de funcionamento do Mercado Guanabara (zona sul), que passou a ser 24 horas; outra alterou itens do Plano Diretor e a última serviu para efetivar a doação de um terreno de 15 mil metros quadrados à empresa Higiban, indústria de metais. “É uma resposta à cidade”, diz Vedoato “É uma resposta à cidade. Se não revogarmos, estaremos acatando leis extremamente corrompidas e não podemos comungar com isso”, alegou o vereador Flávio Vedoato, autor de uma das propostas, e acusado por Henrique Barros. Porém, de acordo com o presidente da Câmara, Sidney de Souza, pelo menos dois dos projetos têm vício de iniciativa (não podem ser iniciados no Legislativo, apenas no Poder Executivo) – o que deve ser analisado pela Comissão de Justiça assim que a Câmara voltar do recesso, após o carnaval. Souza opinou que o Poder Executivo “também deveria criar um processo administrativo” com o objetivo de revisar as leis sancionadas pelo prefeito Nedson, sob questionamento da Promotoria. Vereador se diz “tranqüilo” De volta das férias no litoral, o vereador Flávio Vedoato afirmou ontem que não é certo que se afaste do PSC, a pedido da Executiva Estadual do partido, e que permanecerá na legenda: “Tenho completa convicção de que não estou envolvido em nenhum momento nessas histórias [de pagamento de propina para aprovação de leis]. Fiquei tranqüilo”, disse. Vedoato enfatizou que em nenhum momento foi citado por empresários como recebedor de pagamentos ilegais e que o colega Henrique Barros até agora não explicou o porquê de tê-lo envolvido nas denúncias: “Não tive a oportunidade de conversar ainda com ele. Achei o depoimento do colega calunioso”. A reportagem não localizou Barros. |