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Déficit habitacional é de 5 mil moradias
28/01/2008 - JL - Jornal de Londrina
 

Londrina enfrenta hoje um déficit habitacional de cerca de 5 mil moradias para uma população que ganha até 6 salários mínimos/mês. Este é o número divulgado pelo presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), Carlos Eduardo de Afonseca e Silva. Um documento da Cohab datado de 2005 e localizado no site da Prefeitura aponta que o déficit era de mais 10 mil casas para uma população que ganha até três salários mínimos/mês. O número é calculado pela quantidade de pessoas inscritas nos programas habitacionais do Município. Maringá, com uma população de quase 330 mil habitantes, enfrenta um déficit de 15 mil moradias, segundo o secretário municipal de Políticas Urbanas e Meio Ambiente, Jurandir Guatassara Boeira. “Nós fizemos um recadastramento no ano passado”, explicou.

A diferença entre os dados registrada em Londrina é explicada por Afonseca como “um ajuste”. “Nós eliminamos da fila de inscritos aqueles que têm nome no Serasa e SPC. Outro fato é que, para tentar apressar e garantir sua casa, muitas famílias fazem inscrições em nome de vários membros, tipo pai, mãe e filho. Fizemos ajustes e hoje temos esta quantidade de pessoas inscritas”, disse.

O déficit habitacional, segundo ele, não computa pessoas que pagam aluguel ou que buscam financiamentos para aquisição do imóvel. “O déficit é absoluta falta de moradia, que atinge principalmente a faixa mais pobre da sociedade”, explicou.

O Plano Plurianual (PPA) 2006-2009 da Prefeitura de Londrina prevê investimentos de R$ 8,779 milhões para este ano e de R$ 8,774 milhões, em 2009. O dinheiro será usado para construção de 700 unidades habitacionais, 350 por ano.

O ano passado registrou, sozinho, quase o dobro de investimentos na área, a maior parte oriunda do Programa Habitar Brasil. Segundo o presidente da Cohab, a meta foi cumprida na íntegra. “Com um único empreendimento, entregamos 900 moradias. Sem contar parte do Jardim Cancun, Maracanã e Olímpico, entre outros”, disse. Segundo ele, neste ano serão investidos mais R$ 7,9 milhões do Habitar Brasil 2 no Jardim Primavera e na reurbanização do fundo de vale do Córrego Sem Dúvida.

“Depois de entregue todas as unidades programadas para 2008, o déficit, com certeza, vai ser menor. Mas nunca vamos conseguir zerar”, reconheceu Afonseca. A opinião é confirmada por Guatassara. “Estamos com a demanda em dia, mas os programas habitacionais municipais têm que ser permanentes porque diariamente há inscrições para a casa própria”, disse. Segundo ele, a administração de Maringá pretende entregar, até o final do mandato, 2 mil unidades. “Vamos cumprir”, resumiu.

Ministério das Cidades libera R$ 2,7 milhões Dos R$ 900 milhões destinados pelo Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) para obras de urbanização de assentamentos precários e habitações, o Paraná vai receber aproximadamente R$ 15 milhões. Destes, Londrina ficará com R$ 2,7 milhões, atrás de Curitiba (R$ 3,1 milhões), São José dos Pinhais (R$ 4 milhões) e Piraquara (R$ 4,4 milhões). Os valores foram divulgados no último dia 11 pelo Ministério das Cidades.

O valor não será suficiente para regularizar as 26 áreas de assentamento e favelas e nem as 32 ocupações irregulares (em áreas públicas) do Município. Em 2006, só em regularização fundiária, Londrina gastou R$ 7,4 milhões, segundo o Plano Plurianual 2006-2009. O mesmo Plano indica que, em construções de moradias populares, o valor gasto em 2007 foi de R$ 30 milhões. Pelos cálculos atuais, que indicam um custo de R$ 36 mil por unidade habitacional popular, o dinheiro do FNHIS será para construir 75 delas.

Segundo o presidente da Companhia de Habitação de Londrina, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, o dinheiro do FNHIS será usado para regularizar parte do Jardim Monte Cristo, uma das áreas aptas e a maior favela de Londrina em número de moradores: 1.649.

Baixa renda garante venda de cimento Muitas pessoas, cansadas de esperar até 15 anos na fila da casa própria, resolvem o problema de moradia de forma simples: constroem aos poucos, em terrenos comprados a prazo. A população com renda de até três salários mínimos já chegou a ser responsável por cerca de 60% das vendas de cimento em Londrina, segundo dados da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Londrina (Acomac).

De acordo com José Norberto Ferrareto, um dos diretores da Acomac, até 2006, era comum as lojas fazerem vendas de até R$ 1 mil, em parcelamento. “O pessoal comprava um pouco e pagava. Quando terminava de pagar, vinha e comprava mais um pouco”, explicou.

Em 2007, no entanto, as vendas caíram em torno de 30%. Segundo ele, o principal motivo foi o financiamento de veículos e aparelhos eletrônicos mais acessíveis. “São os nossos principais concorrentes, hoje”, disse.

Aumenta atendimento no Casa Fácil A procura por programas como o Casa Fácil, uma parceria da Unifil e Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), que fornece o projeto arquitetônico da casa de graça e isenta o pagamento de taxas do Crea para esta faixa de renda, vem registrando crescimento. Segundo o professor de arquitetura Gilson Jacob Bergoc, em 2007, houve uma procura recorde de pessoas interessadas no programa. Ele não pode precisar os números porque o coordenador do programa está em férias.

Maringá vai gastar R$ 25 mi em reurbanizaçãoa A Prefeitura de Maringá vai gastar R$ 25,75 milhões – sendo R$ 20 milhões da União e o restante do Estado e Município - para readequar o único bairro da cidade que pode ser considerado uma favela, o Conjunto Habitacional Santa Felicidade. O conjunto foi construído com uma série de problemas de infra-estrutura, com ruas estreitas e rede de esgoto inadequada, passando pelo meio das casas, entre outros. O conjunto tem 240 lotes pequenos e abriga hoje uma média de três famílias por lote.

 
 
 
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